quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Projeto obriga políticos a matricular filhos em escolas públicas - postada por Luiz Carlos Nogueira

Jorge Araujo - 13/10/09 at 05:10 pm

(Juiz do Trabalho, professor universitário e de cursos de pós-graduação. Autor de artigos em revistas jurídicas e jornais, editor do blog: http://direitoetrabalho.com/2009/10/projeto-obriga-politicos-a-matricular-filhos-em-escolas-publicas/ e do Athena de Vento.)

O Senador Cristóvão Buarque apresentou um projeto de lei que, embora bem intencionado, certamente o conduzirá ao Inferno.

O projeto é aquele já referido em diversas discussões, em que se obrigariam os políticos a matricular seus filhos em escolas públicas. Pelos fundamentos o ilustre senador acredita que isso faria melhorar o ensino público.
No entanto não é tão simples assim. Em primeiro lugar esquece o ilustre parlamentar que os filhos de políticos costumam ter uma mãe que pode não ser política. Obrigá-la a algo em virtude do exercício do mandato de seu marido, e ainda com conseqüências na educação de seus pimpolhos, é algo que parece não encontrará guarida na Constituição.

Ainda que assim não fosse se poderia estar gerando um carossel da alegria: obrigados a matricular seus filhos em escolas públicas, com certeza estes mesmos políticos teriam garantidos aos seus rebentos a educação em tais condições durante toda a sua vida estudantil (embora a redação original refira a educação básica). O que corresponderia, por conseguinte, ao ingresso extravestibular nas cobiçadas universidades públicas, as quais, por coincidência, ficam nas capitais de estados e país.

Ou seja os eleitos para parlamentos e executivo estadual, bem como os detentores de cargos federais garantiriam as vagas de seus descendentes nas universidades públicas, o que, se somando a cotistas e outros quetais, excluiria inteiramente a possibilidade de você, cidadão comum, pleitear uma vaga qualquer em uma universidade pública, caindo, literalmente, na privada.

Abaixo o projeto “genial”.

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº , DE 2007

Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:

Art. 1º Os agentes públicos eleitos para os Poderes Executivo e Legislativo federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal são obrigados a matricular seus filhos e demais dependentes em escolas públicas de educação básica.

Art. 2º Esta Lei deverá estar em vigor em todo o Brasil até, no máximo, 1º de janeiro de 2014.
Parágrafo Único. As Câmaras de Vereadores e Assembléias Legislativas Estaduais poderão antecipar este prazo para suas unidades respectivas.

JUSTIFICAÇÃO

No Brasil, os filhos dos dirigentes políticos estudam a educação básica em escolas privadas. Isto mostra, em primeiro lugar, a má qualidade da escola pública brasileira, e, em segundo lugar, o descaso dos dirigentes para com o ensino público.

Talvez não haja maior prova do desapreço para com a educação das crianças do povo, do que ter os filhos dos dirigentes brasileiros, salvo raras exceções, estudando em escolas privadas. Esta é uma forma de corrupção discreta da elite dirigente que, ao invés de resolver os problemas nacionais, busca proteger-se contra as tragédias do povo, criando privilégios.

Além de deixarem as escolas públicas abandonadas, ao se ampararem nas escolas privadas, as autoridades brasileiras criaram a possibilidade de se beneficiarem de descontos no Imposto de Renda para financiar os custos da educação privada de seus filhos.

Pode-se estimar que os 64.810 ocupantes de cargos eleitorais – vereadores, prefeitos e vice-prefeitos, deputados estaduais, federais, senadores e seus suplentes, governadores e vice-governadores, Presidente e Vice-Presidente da República – deduzam um valor total de mais de 150 milhões de reais nas suas respectivas declarações de imposto de renda, com o fim de financiar a escola privada de seus filhos alcançando a dedução de R$ 2.373,84 inclusive no exterior. Considerando apenas um dependente por ocupante de cargo eleitoras.
O presente Projeto de Lei permitirá que se alcance, entre outros, os seguintes objetivos:

a) ético: comprometerá o representante do povo com a escola que atende ao povo;

b) político: certamente provocará um maior interesse das autoridades para com a educação pública com a conseqüente melhoria da qualidade dessas escolas.

c) financeiro: evitará a “evasão legal” de mais de 12 milhões de reais por mês, o que aumentaria a disponibilidade de recursos fiscais à disposição do setor público, inclusive para a educação;

d) estratégica: os governantes sentirão diretamente a urgência de, em sete anos, desenvolver a qualidade da educação pública no Brasil.

Se esta proposta tivesse sido adotada no momento da Proclamação da República, como um gesto republicano, a realidade social brasileira seria hoje completamente diferente. Entretanto, a tradição de 118 anos de uma República que separa as massas e a elite, uma sem direitos e a outra com privilégios, não permite a implementação imediata desta decisão.

Ficou escolhido por isto o ano de 2014, quando a República estará completando 125 anos de sua proclamação. É um prazo muito longo desde 1889, mas suficiente para que as escolas públicas brasileiras tenham a qualidade que a elite dirigente exige para a escola de seus filhos.

Seria injustificado, depois de tanto tempo, que o Brasil ainda tivesse duas educações – uma para os filhos de seus dirigentes e outra para os filhos do povo –, como nos mais antigos sistemas monárquicos, onde a educação era reservada para os nobres.

Diante do exposto, solicitamos o apoio dos ilustres colegas para a aprovação deste projeto.

Sala das Sessões,
Senador CRISTOVAM BUARQUE
Fonte: DireitoeTrabalho.com

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Luiz Carlos Nogueira, informa e comenta:

PLS - PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 480 de 2007

Autor: SENADOR - Cristovam Buarque
Ementa: Determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas até 2014.
Data de apresentação: 16/08/2007
Situação atual: Local: 02/09/2009 - Comissão de Constituição, Justiça e CidadaniaSituação: 17/04/2009 - AGUARDANDO INSTALAÇÃO DA COMISSÃO
Indexação da matéria: Indexação: FIXAÇÃO, OBRIGATORIEDADE, AGENTE PÚBLICO, OCUPANTE, CARGO ELETIVO, EXECUTIVO, LEGISLATIVO, REPÚBLICA FEDERATIVA, ESTADOS, (DF), MUNICÍPIOS, MATRÍCULA, FILHOS, DEPENDENTE, ESCOLA PÚBLICA, EDUCAÇÃO BÁSICA, ENSINO FUNDAMENTAL, ENSINO DE PRIMEIRO GRAU, DEFINIÇÃO, PRAZO MÁXIMO, APLICAÇÃO, NORMAS.

CONFIRAM A TRAMITAÇÃO NO SENADO, ACESSANDO O LINK:
http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166

As conseqüências desse Projeto de Lei seriam fantásticas e poderão mudar a realidade do nosso País, pois, somente obrigando os políticos a colocar seus filhos nas escolas públicas, é que a qualidade do ensino melhoraria extraordinariamente. Quem não sabe que as escolas públicas há muito tempo deixaram de ser o que eram?

Não vamos esquecer os artigos da Constituição Federal:

"Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza [...]"

"Art.205 - A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho."

Penso que não é preciso dizer mais nada.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Cadastro de inadimplência já tem mais de 43 mil alunos

O Cadastro de Informações dos Estudantes Brasileiros, que começou a funcionar quarta e serve como lista de inadimplência para escolas, já tem 43,5 mil alunos. O Procon considera a prática abusiva e disse que punirá a escola que usar o cadastro para inibir matrículas. (págs. 1 e A18)

O Estado de São Paulo

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Governo lança pacote de R$ 1,6 bi para educação


Brasília - O governo federal anunciou hoje mais um pacote de ações para a Educação que somam quase R$ 1,6 bilhão. Os novos programas já estão previstos no orçamento de 2008, mesmo que o governo ainda não saiba se vai poder contar os R$ 40 bilhões da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no ano que vem. Uma das novidades é a criação de uma rede de ensino à distância para o ensino técnico de nível médio, especialmente na área de serviços.

O Sistema Escola Técnica Aberta do Brasil (E-Tec Brasil) terá R$ 70 milhões no orçamento de 2008 e R$ 150 milhões nos anos seguintes para que sejam oferecidos os cursos técnicos em colaboração com Estados e municípios. Da mesma forma que a Universidade Aberta do Brasil - a rede federal de ensino superior à distância -, coordenada pelas universidades federais, a E-Tec Brasil será coordenada pelas escolas técnicas federais de ensino médio.

"Em algumas áreas não há como haver ensino técnico à distância. Mas em outras, como os serviços, é possível. E essa é uma das áreas que mais cresce no País", disse o ministro da Educação, Fernando Haddad. A maior parte dos recursos estão direcionados para a educação básica. São R$ 517,26 milhões para ampliação da merenda e do transporte escolar para as redes de ensino médio. Outros R$ 105,78 milhões serão usados no ensino infantil.

O ministério também criou um outro programa para ampliar a rede de ensino profissionalizante, o Brasil Profissionalizado. Serão, em 2008, R$ 200 milhões a disposição dos governos estaduais para serem usados em convênios com a intenção de ampliar as redes de ensino médio conjugado com técnico. Em quatro anos, a intenção é investir R$ 900 milhões.

Ensino superior

No ensino superior, o governo anunciou que vai colocar R$ 80 milhões no programa de Pós-doutorado no Brasil. Uma das novidades do programa é que terão prioridade na seleção os projetos que previrem integração entre universidades, institutos de pesquisas e programas de pós-graduação com empresas. Também estão previstos R$ 130 milhões em 2008 para ampliar programas de auxílio-moradia, restaurantes universitários, transporte e creches para filhos de alunos.

Lisandra Paraguassú

Fonte: Uol Noticias

http://noticias.uol.com.br/ultnot/brasil/2007/12/12/ult4469u15417.jhtm

sábado, 15 de setembro de 2007

Em 2006, 97,6% das crianças e adolescentes de 7 a 14 anos freqüentavam a escola - no ano anterior eram 97,3%

O número mais impressionante, porém, foi no acesso à universidade: de 2005 para 2006 houve aumento de 13,2% no número de estudantes de nível superior.

A taxa de analfabetismo (medida entre pessoas de mais de 15 anos) ficou em 10,2%.

(O Estado de São Paulo - Sinopse Radiobrás)


Observação do blog:

O Brasil caminha para a universalização do ensino básico, para a eliminação do analfabetismo e para a democratização do acesso ao ensino universitário.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Plano de Desenvolvimento da Educação: principal meta é que os alunos atinjam a nota média 6 até 2022, saindo dos parcos 3,5 atuais

Primeiro ministro da Educação a visitar em décadas locais como o Estado do Amapá e a Ilha de Marajó, Fernando Haddad será, no fim de 2007, o integrante do alto escalão do governo federal que mais terá rodado o país.

A previsão é de que todos os 26 Estados sejam percorridos para o lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação, cuja principal meta é que os alunos atinjam a nota média 6 até 2022, saindo dos parcos 3,5 atuais.

Por onde passa, sua agenda assemelha-se à de um candidato: reuniões com prefeitos e governadores, almoços com empresários, encontros com jornalistas e tietagem de professoras.

Aos 44 anos, esse paulistano que só disputou eleições de diretório acadêmico caiu nas graças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem virou uma espécie de consultor econômico informal.

A intimidade com Lula começou a criar especulações sobre seu potencial eleitoral e já desperta reações de parte do PT paulistano ligado à ministra do Turismo, Marta Suplicy.

(Valor Econômico - Sinopse Radiobrás)

domingo, 19 de agosto de 2007

Mensalidades escolares vão aumentar em 2008 por causa do Supersimples, informa o sindicato das escolas particulares de São Paulo

* O sindicato das escolas particulares de São Paulo informou que as mensalidades escolares vão aumentar em 2008 por causa do Supersimples, novo regime especial de arrecadação de tributos das micro e pequenas empresas.

A estimativa é de acréscimo médio de 15% na carga tributária com a adesão ao sistema.

O impacto sobre as mensalidades não foi informado.

(O Estado de São Paulo – Sinopse Radiobrás - 18-08-07)

O GLOBO

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Dezoito Estados não atingirão meta do MEC

* 18 Estados não vão atingir meta do MEC

Objetivo para o Índice de Desenvolvimento da Educação é nota 6 em 2021.

(Estado de São Paulo - Sinopse Radiobrás - 07/08/2007)